Deixo o meu olhar orvalhar
rasgando montanhas e vales
desbravando outros mares
que nunca ousei navegar.
Não acostumei os meus passos
por caminhos já conhecidos
nem meus olhos fatigados
de tantos desejos levar
para junto de outros olhos
que não souberam me amar.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Por do sol
A palavra se mostrou ofegante
procurando sons pra falar
quando uma luz ofuscante
veio o meu corpo ninar,
e agora quem vai me libertar?
se já não sou,
se já estou,
se já me encantei no luar?
procurando sons pra falar
quando uma luz ofuscante
veio o meu corpo ninar,
e agora quem vai me libertar?
se já não sou,
se já estou,
se já me encantei no luar?
domingo, 23 de fevereiro de 2014
O sentido da vida
O fato de estar apaixonado por alguém,por um projeto,pela realização de um sonho é o que proporciona um sentido para a vida e a torna interessante,no resto são obrigações que tingem de cinza a nossa existência.Só a esperança nos arranca do abismo, e tudo o mais é no mínimo fingimento.São mínimas as coisas que nos fazem sentir felicidade,e muitas que nos roubam o sorriso.Aceitamos o definitivo porque somos infinitamente impotentes, por isso compreendemos a resiliência que nos torna apáticos ante o inevitável fim das vidas que, se vão para alimentar novas vidas, no eterno ciclo de transformações que a natureza nos impõe pela química do recomeço.Ainda não evoluímos o bastante para aceitar sem sofrimento o ciclo das perdas .A síndrome do coração partido se manifesta sempre que uma nova ferida se abre em nossas entranhas e verificamos que aquelas que julgávamos cicatrizadas se abrem novamente para nos machucar além da nossa sanidade suportável.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Afeto
Leva contigo amigo
o doce amor que eu te dei
Não esqueças amigo
que um dia eu te toquei
que segurei tua alma criança
e nela amizade plantei.
Por onde andares amigo
saiba que de ti sentirei
muita saudade no peito
pelo beijo que não te dei.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Compreendendo
Teu olhar eu compreendo
é de amor sincero e puro
que acende meu coração maduro.
Amor é sentimento eterno
que desperta a esperança
de ser sempre uma criança
para poder dizer sim
sem medo de transbordar.
Duas estranhas
A lua cobriu meu corpo nu
vasculhou minha silhueta sem curiosidade
e escondeu-se nas nuvens
depois chorou.
Eu lamentei não ser água
nem sal, nem terra
para recolher suas lágrimas.
domingo, 5 de janeiro de 2014
Mais que uma saudade
A palavra saudade é exclusiva da literatura luso- brasileira que, a tem cantado em prosa e em verso, para designar uma recordação melancólica de pessoa ou coisa ausente que se deseja voltar a ver ou a possuir.Penso, entretanto, que poderá ter um significado mais abrangente, vez que trata-se de um sentimento
que, para cada pessoa apresenta-se de um modo singular.Quando o amor é muito profundo eu diria que a saudade assemelha-se a um luto que por sua vez é muito dolorido .Nosso discurso esmorece dramaticamente ante este sentimento tão subjetivo vivido na internalidade de cada um sem auxilio de raciocínios lógicos. Diante de uma perda ou ausência, defendo o direito inalienável de vive-las com todas as dores inerentes que as acompanham, vez que, como seres insuficientes que somos, necessitamos de tempo para digeri-las e aceitá-las ao longo da nossas vidas, senão seremos cada vez mais indigentes ante a sofreguidão do mundo contemporâneo , exigindo pressa para a solução de nossas idiossincrasias para que o sofrimento não nos tire a alegria de viver.Entretanto, entrar em contato com nossa essência é primordial para a nossa evolução,construindo através das perdas uma espécie de agigantamento para que possamos emergir do fundo do poço com mais força e discernimento.O tempo é o senhor do nosso destino, e podemos usá-lo também a nosso favor, sem que necessitemos fingir alegria para enquadramento na cultura atual.
que, para cada pessoa apresenta-se de um modo singular.Quando o amor é muito profundo eu diria que a saudade assemelha-se a um luto que por sua vez é muito dolorido .Nosso discurso esmorece dramaticamente ante este sentimento tão subjetivo vivido na internalidade de cada um sem auxilio de raciocínios lógicos. Diante de uma perda ou ausência, defendo o direito inalienável de vive-las com todas as dores inerentes que as acompanham, vez que, como seres insuficientes que somos, necessitamos de tempo para digeri-las e aceitá-las ao longo da nossas vidas, senão seremos cada vez mais indigentes ante a sofreguidão do mundo contemporâneo , exigindo pressa para a solução de nossas idiossincrasias para que o sofrimento não nos tire a alegria de viver.Entretanto, entrar em contato com nossa essência é primordial para a nossa evolução,construindo através das perdas uma espécie de agigantamento para que possamos emergir do fundo do poço com mais força e discernimento.O tempo é o senhor do nosso destino, e podemos usá-lo também a nosso favor, sem que necessitemos fingir alegria para enquadramento na cultura atual.
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