sábado, 23 de março de 2013
Desnudamento
Leila se resguardava de amores , dos padecimentos e angústias advindos.Gorda de anos esperava, entretanto, conhecer alguém interessante que lhe despertasse algumas emoções que avivasse as cores de seus dias ,cujo cotidiano já lhe provocava um certo cansaço. Aconteceu. O Universo ouviu os seus apelos.Conheceu um homem e dele se avizinhou.Agradou-se do seu jeito alegre e da sua facilidade de comunicação .Aproximou-se um pouco relutante, mas de imediato captou uma energia sutil que percorreu sem pudor as profundezas do seu ser.Contudo aterrorizava-a um envolvimento mais próximo, que, com o tempo adviria.Relutava em desnudar o corpo e a alma e entregar-se por inteiro.Abismar-se era assombrosamente perigoso.Entretanto uma força poderosa a incitava a experimentar o perigo.Precisava baixar as armas,pois era do seu feitio enfrentar seus medos.Leila vestiu-se de coragem e atravessou o umbral da covardia."Navegar era preciso".
domingo, 17 de março de 2013
Mudanças
Não me perguntes a idade
porque nasço a cada segundo,
transbordamento é alegria que sobra.
No meio de tudo a vida segue
conforme as circunstâncias
rica ou complacente
ao sabor do olhar de cada um.
porque nasço a cada segundo,
transbordamento é alegria que sobra.
No meio de tudo a vida segue
conforme as circunstâncias
rica ou complacente
ao sabor do olhar de cada um.
quarta-feira, 6 de março de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Apelidos
Chamavam-me boca de coração,
Talvez pelo formato
ou pela alma que se mostrava
perfumada,entusiasmada, musical.
Apelidaram-me de varapau
talvez pelo modo caniço de alcançar o céu.
Gognominaram-me de cego Aderaldo
talvez pelo jeito de ver diferente,
pela mania de olhar para dentro.
Os apelidos me identificaram
e só hoje consigo traduzi-los.
Talvez pelo formato
ou pela alma que se mostrava
perfumada,entusiasmada, musical.
Apelidaram-me de varapau
talvez pelo modo caniço de alcançar o céu.
Gognominaram-me de cego Aderaldo
talvez pelo jeito de ver diferente,
pela mania de olhar para dentro.
Os apelidos me identificaram
e só hoje consigo traduzi-los.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Escolhas
O corpo de Leila se pôs de verde,os olhos de puro cristal,seu instinto detetivesco começou a esmiuçar e desentortar a cada segundo,pendendo mais amiúde ao seu incontrolável pendor para detectar as filigranas.As dúvidas sarapateavam nas entrelinhas do seu olhar aguçado.Algo lhe fartava e outras tantas coisas lhe faltavam.O sangue que lhe jorrava das entranhas não era espelho para ninguém.Doenças da alma são territórios desertificados,só os sintomas dão seus esgares de alertas,as causas permanecem indecífráveis.Desta ignorância surgem as disparatadas sentenças e as inconsequentes crenças.Leila decidiu parar de perquirir ,de se aventurar por locais escuros e desconhecidos.Fechou a gaveta da memória e escolheu o presente : deixou pousar a carícia do vento ,vestiu a alma de adereços e levantou-se para deixar-se abraçar pelos raios solares que inundavam dadivosamente a sua varanda.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Lições de vida
Leila o seguiu hipnotizada.As vezes ele lhe acenava com um porto seguro,outras lhe anunciava ondas gigantescas que poderiam a tragá-la para sempre.Era aquela imprevisibilidade que a fascinava.Foi amor à vista cansada.Olhou-o e sentiu-se inteiramente aprisionada dentro dele.Seus desejos galgavam estrelas e o cobriam com um manto de majestade.Em sua fértil imaginação deu-lhe asas de condor,cantigas
de passarinhos, e perfume de de juventude reinventada.Não tinham afinidades, mas o sentimento despertado contrariava qualquer percepção que destronasse sua fantasia.Ele não veio para somar,chegou para alertá-la de que a energia não pode ficar estagnada por mais perigoso que seja o caminho.Percorre-lo é nosso destino,um passo sempre a frente sem se deixar apavorar pelo ranço da experiência.
de passarinhos, e perfume de de juventude reinventada.Não tinham afinidades, mas o sentimento despertado contrariava qualquer percepção que destronasse sua fantasia.Ele não veio para somar,chegou para alertá-la de que a energia não pode ficar estagnada por mais perigoso que seja o caminho.Percorre-lo é nosso destino,um passo sempre a frente sem se deixar apavorar pelo ranço da experiência.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Gabizinha
Ela chega de mansinho,coloca a cabeça no meu colo e me fita imensamente como se quisesse sorver meus pensamentos.Ela quer permanecer e eu quero parar o tempo,fotografar nossas almas neste momento de amor.De vez em quando levanta a cabeça e me implora solução.Passo minha mão pelo seu corpo macio e lhe conto mentirinhas boas que,lhe acalmam, e amortalham o meu coração.O vento bate quente e veloz e levam para o infinito os pássaros que pousaram na janela.Lá fora a árvore balançada com seus galhos secos torna-se branca, como se despedida fosse sinônimo de paz,como se separação não afogasse nossos corações em areias movediças.Há um torniquete em minhas vísceras me apertando com fome como se desejasse me explodir.Entretanto, as dores são suplantadas pelo instinto de sobrevivência que desafia qualquer sentimento.Sei por experiência que um dia vai passar.Mas esta certeza não me impede de ouvir a voz de Riobaldo ao dizer: para amor que dói ,amanhã não é consolo.
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