A tarde está sonolenta,a vida parece que estagnou como se tivesse esperando algum acontecimento extraordinário. No meu Estado seria a chuva tão aguardada pelo nosso povo.Ninguém a transitar pelas ruas.
Queiramos ou não, quem dá movimento às cidades é o ser humano,com suas buscas e anseios de algo que dê sentido as suas existências.Esta angústia do dia que,no íntimo é minha, move-me a pretensão de tentar explicá-la.Debruço-me sobre ela como quem se arqueia para tirar uma criança do seu berço.Inicio e fim permeiam a nossas vidas que sem a companhia de outro ser humano é quase impossível aguentar.O diálogo mesmo que pífio é extremamente necessário para nos fixarmos em qualquer parte do planeta.Como animais precisamos conviver,acasalar e procriar, nem que seja no campo das ideias e da argumentação.Sem comunicação vegetamos e acabaremos por sucumbir antes do tempo,assim como as plantas arrancadas do seu habitat.Mas apesar deste simulacro de angústia, já começo a me alegrar ante a perspectiva do baile logo mais à noite,onde a comunicação é farta embora que seja superficial.Enfim, nada é perfeito.
sábado, 30 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
Julgamentos
Todos nós somos alvos de julgamentos que não condizem com a nossa essência haja visto que dificilmente somos capazes de nos conhecermos por completo;as circunstâncias externas nos bombardeiam diuturnamente, a nossa maneira de captá-las, adaptarmos e nos ajustarmos novos a novos fatos desafiam a nossa capacidade de direcionamento adequado.Tudo que acontece no macrocosmo afeta o nosso entendimento das coisas.A imprevisibilidade direciona a nossa vida e a nossa visão dos fatos vão mudando o nosso olhar, o nosso sentir e as nossas aspirações.Tudo aquilo que parecia estático,arrumadinho ao nosso gosto, desmorona.Usamos,muitas vezes, artifícios para não nos revelarmos completamente,porque no fundo temos medo do outro,desconfiamos das suas intenções. Para proteger a nossa vulnerabilidade encenamos o nossa peça teatral que engendramos para nos proteger.Particularmente comigo acontece ausentar-me de outras falas que não consigo apreender,conciliando o meu espírito inquieto com a quietude falsamente plácida de olhares curiosos,porque pararelo a mim dialoga outro ser que consegue está presente e ausente ao mesmo tempo.Quando a conversa é maçante vagueio,quando me agrada retorno.Sei fingir tão bem que as vezes me apontam por aquela que não sou.
sábado, 23 de março de 2013
Desnudamento
Leila se resguardava de amores , dos padecimentos e angústias advindos.Gorda de anos esperava, entretanto, conhecer alguém interessante que lhe despertasse algumas emoções que avivasse as cores de seus dias ,cujo cotidiano já lhe provocava um certo cansaço. Aconteceu. O Universo ouviu os seus apelos.Conheceu um homem e dele se avizinhou.Agradou-se do seu jeito alegre e da sua facilidade de comunicação .Aproximou-se um pouco relutante, mas de imediato captou uma energia sutil que percorreu sem pudor as profundezas do seu ser.Contudo aterrorizava-a um envolvimento mais próximo, que, com o tempo adviria.Relutava em desnudar o corpo e a alma e entregar-se por inteiro.Abismar-se era assombrosamente perigoso.Entretanto uma força poderosa a incitava a experimentar o perigo.Precisava baixar as armas,pois era do seu feitio enfrentar seus medos.Leila vestiu-se de coragem e atravessou o umbral da covardia."Navegar era preciso".
domingo, 17 de março de 2013
Mudanças
Não me perguntes a idade
porque nasço a cada segundo,
transbordamento é alegria que sobra.
No meio de tudo a vida segue
conforme as circunstâncias
rica ou complacente
ao sabor do olhar de cada um.
porque nasço a cada segundo,
transbordamento é alegria que sobra.
No meio de tudo a vida segue
conforme as circunstâncias
rica ou complacente
ao sabor do olhar de cada um.
quarta-feira, 6 de março de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Apelidos
Chamavam-me boca de coração,
Talvez pelo formato
ou pela alma que se mostrava
perfumada,entusiasmada, musical.
Apelidaram-me de varapau
talvez pelo modo caniço de alcançar o céu.
Gognominaram-me de cego Aderaldo
talvez pelo jeito de ver diferente,
pela mania de olhar para dentro.
Os apelidos me identificaram
e só hoje consigo traduzi-los.
Talvez pelo formato
ou pela alma que se mostrava
perfumada,entusiasmada, musical.
Apelidaram-me de varapau
talvez pelo modo caniço de alcançar o céu.
Gognominaram-me de cego Aderaldo
talvez pelo jeito de ver diferente,
pela mania de olhar para dentro.
Os apelidos me identificaram
e só hoje consigo traduzi-los.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Escolhas
O corpo de Leila se pôs de verde,os olhos de puro cristal,seu instinto detetivesco começou a esmiuçar e desentortar a cada segundo,pendendo mais amiúde ao seu incontrolável pendor para detectar as filigranas.As dúvidas sarapateavam nas entrelinhas do seu olhar aguçado.Algo lhe fartava e outras tantas coisas lhe faltavam.O sangue que lhe jorrava das entranhas não era espelho para ninguém.Doenças da alma são territórios desertificados,só os sintomas dão seus esgares de alertas,as causas permanecem indecífráveis.Desta ignorância surgem as disparatadas sentenças e as inconsequentes crenças.Leila decidiu parar de perquirir ,de se aventurar por locais escuros e desconhecidos.Fechou a gaveta da memória e escolheu o presente : deixou pousar a carícia do vento ,vestiu a alma de adereços e levantou-se para deixar-se abraçar pelos raios solares que inundavam dadivosamente a sua varanda.
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